Mestre Sérgio Santos

Conteúdo das nossas práticas

Em nossas práticas em sala de aula aplicamos oito conjuntos de técnicas, a saber:

1) Mudrá

Mudrá é a linguagem gestual. Deve ser pronunciado sempre com a tônico. Significa literalmente gesto, selo ou senha. Provém da raiz mud, alegrar-se gostar. Em Yôga, mudrá designa os gestos feitos com as mãos. São definidos como gestos reflexológicos por desencadear uma sucessão de estados de consciência e mesmo de estados fisiológicos associados aos primeiros.

Os mudrás atuam por associação neurológica e por condicionamento reflexológico. Um fato curioso e que só pode ser atibuído ao inconsciente coletivo é a "coincidência" de que, em épocas diferentes, hemisférios diferentes, etnias e culturas diferentes, os mesmos gestos sejam observados, com o mesmo significado. Há diversos estudos publicados nas áreas de antropologia e de psicologia demonstrando que, seja qual for o povo, determinados gestos possuem um significado comum, desde uma primitiva tribo africana, até uma nação nórdica.

Os mudrás do Hinduísmo são originários da antiga tradição tântrica e tanto o Yôga quanto a dança clássica hindu, o Bhárata Natya, utilizam-se deles. Nos Yôgas mais tardios, essa arte ficou praticamente extinta, limitando-se a uns poucos mudrás.

Os mudrás mais conhecidos são:

Shiva mudrá

Shiva mudrá – para meditação.

Neste mudrá, devemos sentir nossas mãos como um cálice no qual recebemos a preciosa herança milenar de força e sabedoria. Amplifica nossa receptividade.

Jñana mudrá

Jñana mudrá – para meditação e respiratório.

Este gesto conecta os pólos positivo e negativo representados pelos dedos indicador e polegar de cada mão, passando por eles uma corrente de baixa amperagem e apoiados sobre os chakras dos joelhos, que são secundários.

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Atman mudrá – para respiratório e mantra.

Este selo tem um efeito semelhante ao anterior, só que agora com os dez dedos envolvidos, formando o circuito de alta amperagem, e localizado diante de um chakra principal. Cria um empuxo que ascensiona a anergia sexual coluna acima, transmutando-a e sublimando-a.

Prônam mudrá

Prônam mudrá – para mantra e ásana.

Nesta senha, a mão de polaridade positiva se espalma na de polaridade negativa, fechando um importante circuito eletromagnético que faz circular a energia dentro do próprio corpo e recarregá-lo, especialmente se executado durante ou após os mantras. Nos ásanas, tende a proporcionar mais senso de equilíbrio e por isso mesmo é mais utilizado nos ásanas de apoio em um só pé.

Abaixo, os 108 mudrás utilizados no Swásthya Yôga:

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2) Pújá

Pújá pode ter vários significados. Oferenda, honra ou retribuição de energia ou de força interior, são as formas pelas quais nos referimos ao púja na nossa estirpe de Yôga Pré-classico. Mas o termo pode significar também homenagem aos superiores, adorar, prestar culto, venerar, honrar, reverenciar.

O conceito de pújá possui primeiramente duas divisões: báhya pújá (externo, expresso com oferendas materiais) e manasika pújá (interno, manifestado por meio de mentalização e atitude interior).

Para realizar o báhya púja, cinco objetos materiais, tradicionalmente, são mais recomendáveis: frutas, flores, tecidos, incenso e dinheiro. Não obstante essas cinco formas de pújá, atualmente é comum o indiano médio oferecer a um Mestre simplesmente uma caixa de doces! No Ocidente, um tipo de oferenda que todo instruotr aprecia são músicas que possa utilizar em coreografias, meditação, relaxamento e aulas em geral. Na verdade, não importa o que você esteja ofertando. Importa é o sentimento, a intenção e a intensidade com os quais o pújá esteja sendo feito.

Na prática regular de Yôga, aplica-se mais o manasika pújá, reservando-se o báhya pújá para circunstâncias cerimoniais, sociais e festivas. O manasika pújá faz-se com profunda concentração e visualizando linhas, raios ou jatos de luz partindo do coração do praticante ou discípulo (dependendo do grau de identificação) em direção ao Mestre, envolvendo-o e impregnando-o com a energia de carinho, amor, lealdade eapoio daquele que transmite o pújá. A visualização terá muito mais validade se for potencializada por um sentimento verdadeiro, honesto e intenso. Essa luz pode ser visualizada com coloração amarelo-ouro, diáfana e brilhante, como o são em geral os fachos de luz, ou pode tomar as características cromáticas daquilo que se deseja melhor transmitir: se for saúde física e vitalidade, luz alaranjada; se for saúde generalizada com redução do stress, verde claro;se for paz e serenidade, luz azul celeste; se for afeto, rosa; se for para auxiliar uma superação kármica, violeta.

Pode-se fazer pújá a um local sacralizado, a um pessoa consagrada, ou a uma egrégora, isto é, a uma entidade gregária, o ser arquetípico que polariza e nucleia um grupo de indivíduos. Quando entre pessoas, o pújá faz-se somente em sentido ascendente, ou seja, do inferior ao superior hierárquico. Asssim,um devoto pode fazer pújá à sua divindade, um filho pode fazer pújá ao seu pai ou mãe, e o discípulo ao Mestre, mas o contrário não.

Como em todas as coisas do Hinduísmo, com relação ao pújá encontram-se também opiniões as mais variadas e discrepantes. Em algumas regiões e em determinadas escolas, o pújá muda de nome ou, então, entende-se que ele não possa ser direcionado a outro Ser Humano, mas apenas ao ser Divino. Outras contra-argumentam que o Ser Divino está dentro de todo Ser Humano, portanto, o pújá pode ser feito ao Mestre. Se formos ater-nos à teorização e à filosofia especulativa, isso se tornará uma discussão sem fim.

O importante é o praticante saber que o pújá é parte da etiqueta e das boas maneiras yôgis. Seja qual for sua origem, casta, credo ou posição social, antes de qualquer coisa deve ter lugar um pújá. O pújá é como se fosse o agradecimento prévio pelo que ainda vai ser feito. E um “muito obrigado” dito pelo aluno antes da aula, assim que chega para a classe. E a maçã que a criança leva espontaneamente para a sua professora primária.

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3) Mantra

Mantra pode-se traduzir como vocalização. Compõe-se do radical man (pensar) + a partícula tra (instrumento). E significativa tal construção semântica, já que o mantra é muito utilizado para se alcançar a “supressão da instabilidade da consciência”, denominada meditação, a qual consiste na parada das ondas mentais.

Mantra pode ser qualquer som, sílaba, palavra, frase ou texto, que detenha um poder específico. Porém, é fundamental que pertença a uma língua morta, na qual os significados e as pronúncias não sofram a erosão dos regionalismos, modismos e outras alterações constantes por causa da evolução da língua viva.

Em se tratando de Yôga, somente o idioma sânscrito é aceito. Dele, foram extraídos os mantras do nosso acervo. Existem mantras para facilitar a concentração e a meditação, mantras para serenar e para energizar, para adormecer e para despertar, para aumento do fôlego, para educar a dicção, para desenvolver chakras e despertar a kundaliní, para melhorar a saúde, etc.

Na prática básica de ády asgtánga sádhana, o mantra é utilizado para aplicar a vibração de ultra-sons no desesclerosamento de nadís, que são os meridianos por onde o prána circula em nosso corpo físico energético. Na maior parte das pessoas, tais nádis estão obstruídas por maus costumes alimentares que as entopem da mesma forma que as artérias, e também por maus costumes emocionais, dando vazão a uma enorme variedade de sentimentos inferiores, pesados e viscosos.

Para desenvolver chakras, os mantras atuam por ressonância. E o mesmo fenômeno que se observa quando afinamos dois instrumentos de corda e depois, tocando um deles, o outro, deixado a uma certa distância, toca sozinho, por simpatia. Da mesma forma , se conseguirmos reproduzir os ultra-sons que têm a ver com a afinação dos chakras, eles reagem a esse estímulo.

Segundo a física, a resSonância tem tanta força que uma tropa não deve atravessar pontes marchando. Se o fizer, a ponte pode ruir, como já aconteceu várias vezes. Todo militar sabe disso, mas poucos sabem que tal procedimento está intimamente ligado à arte dos mantras.

Como não conseguimos escutar os ultra-sons, os Mestres do passado criaram determinados sons que têm a propriedade de reproduzi-los simultaneamente, tal como se os ultra-sons acompanhassem o vácuo dos sons audíveis. Assim, pessoas comuns passam a ter a capacidade de emitir vibrações que atuem nas áreas mais recônditas da nossa fisiologia pránica.

Não adianta ler os mantras escritos, nem mesmo em pauta musical. E preciso escutá-los atentamente e buscar reproduzi-los exatamente da mesma forma. E necessário que um Mestre experiente os ouça e corrija sucessivas vezes, até que os mantras fiquem precisamente corretos. Por isso, na India, alguns Mestres de mantra ficam furiosos quando os ocidentais lhes perguntam com que nota musical este ou aquele mantra deve ser feito.

- Mantra não é música! – Vociferam eles, cheios de razão.

PRINCIPAIS TIPOS DE MANTRAS

Kirtan

Significa cântico. Kirtan é o mantra que possui várias notas musicais , várias palavras e possui tradução. Kirtan é um mantra extroversor, de atuação mais psicológica que fisiológica, e é menos poderoso que o japa.

Japa

Significa repetição. E a “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. O japa ideal tem uma só nota musical, um só palavra, uma só sílaba e, de preferência, não tem tradução alguma. Contudo, pode-se executar um kirtan como japa. Para isso, acrescenta-se repetição intensiva. Não será um japa perfeito, mas pode ser classificado como japa sem risco de erro. Japa é um mantra introversor, de atuação mais fisiológica do que psicológica, e é muito mais forte que o kirtan.

Bíja

Significa semente. E um tipo de japa com função específica para desenvolvimento de chakras. Cada chakra em seu som-semente, seu bíja mantra, que desencadeia a ativação por ressonância, mediante a exaustiva repetição. Há vários cuidados que se deve observar para a vocalização dos sons dos chakras e raramente eles são aplicados em turmas de iniciantes. Saber que LAM atua no múladhára chakra, que VAM atua no Swádhisthána, RAM no manipura, YAM no anáhata, HAM no vishuddha e ÔM no ájña e no sahásrara, não resolve nada, se o praticante não tiver um Mestre que, além de entoar cada um, ainda esteja disponível para corrigir sua vocalização.

A vibração dos ultras-sons que acompanham o “vácuo” das vocalizações, neste caso do ády ashtánga sádhana, tem a finalidade de desesclerosar os canais para que o prána possa circular. Prána é o nome genérico da bio-energia. Somente depois dessa limpeza é que se pode fazer pránáyáma. O Swásthya Yôga utiliza centenas de mantras: kirtan e japa; vaikharí e manasika; saguna e nirguna mantras. Utilizamos mais de 100 mantras.

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4) Pránáyáma

Prána significa bioenergia; áyama, expansão, largura, intensidade, elevação. Pránáyáma designa as técnicas, quase sempre respiratórias, que conduzem à intensificação ou expansão do prána no organismo.

Prána é o nome genérico pelo qual o Yôga designa qualquer tipo de energia manifestada biologicamente. Em princípio, prána é energia de origem solar, mas podendo manifestar-se após a metabolização, ou seja, indiretamente, sendo, então, absorvido do ar, da água ou dos alimentos.

O prána é visível. Num dia de sol, faça pránáyáma e fixe o olhar no vazio do céu. Aguarde. Assim que o aparato da visão se acomodar você começará a enxergar miríades de minúsculos pontos brilhantes incrivelmente dinâmicos, que cintilam descrevendo rápidos movimentos circulares e sinuosos. Ao executar seus respiratórios, mentalize que está absorvendo essa imagem de energia.

A respiração yôgi (lê-se “yôgui”) deve ser sempre nasal, silenciosa e completa, salvo instrução ao contrário. Deve ser feita com a participação da musculatura abdominal, intercostal e torácica, promovendo um aproveitamento muito maior da capacidade pulmonar. Quando a respiração tiver que ser com inspiração ou expiração pela boca ou, ainda, quando tiver que produzir algum ruído, isso será explicitado na descrição. Portanto, fica esclarecido desde já, que quando algum desses procedimentos ocorrer, tratar-se-á de exceção.

As fases da respiração têm os seguintes nomes: púraka, inspiração; kumbhaka, retenção com ar; rêchaka, expiração; shúnyaka, retenção sem ar.

Púraka - Sempre que inspirar, mentalize que está absorvendo o prána em suspensão no ar. Visualize o prána. Procure sentir um prazer imenso no ato de inspirar essa vitalidade, como o que experimenta ao ingerir um saboroso alimento.

Kúmbhaka – Ao reter o alento evite prender a respiração por tempo excessivo a ponto de causar ansiedade ou taquicardia. O progresso deve ser gradativo para ser saudável. A retenção do ar nos pulmões é mais fácil e confortável se o praticante não encher demais o peito.

Rêchaka – Ao expirar, mentalize que está lançando no universo o que você tem de melhor, saúde, alegria, carinho, companheirismo e tudo o mais que você puder se lembrar de positivo.

Shúnyaka – A retenção com os pulmões vazios, assim como com os pulmões cheios, produz intoxicação de CO2, o que pode auxiliar o chitta vritti nirôdhah (Yôga Sútra, capítulo I, sútra 2), porém só deve ser praticado com muita cautela e sempre sob a supervisão direta de um Mestre. Em princípio, por livro, não deve ser executado.

Para cada uma dessas quatro fases respiratórias pode ser aplicado um ritmo. Exemplos. Um respiratório com ritmo 1-2-1 consiste em inspirar durante um tempo (digamos, três segundos), reter o ar nos pulmões durante dois tempos (então, seriam segundos), expirar em um tempo (nesse caso, três segundos) e não reter sem ar tempo algum, uma vez que isso não foi indicado para o presente pránáyáma. Este é o melhor ritmo para iniciantes que já tenham alguma prática. Iniciantes sem prática, devem dedicar-se a respiratórios sem ritmo.

O ritmo 1-2-1-2 indica que deve-se reter sem ar o mesmo tempo que se reteve com ar (dois tempos). Este ritmo pode ser utilizado por praticantes mais adiantados, com pretensões ao domínio dos vrittis, mas sem correr riscos.

O ritmo 1-2-3 indica que a expiração é a soma dos tempos da inspiração e retenção. Por exemplo: inspiração 5”; retenção 10”; ora, 5” mais 10” é igaual a 15”, logo, a expiração será feita durante 15 segundos. Este ritmo é de nível intermediário e mais indicado para técnicas tranqüilizantes, tais como relaxamentos e semi-relaxamentos, meditação, controle das emoções, a volta à calma depois da prática de esportes, etc.

O ritmo 1-4-2 consiste em inspirar em um tempo (suponhamos, três segundos), reter durante quatro tempos (logo, 4 x 3” = 12”), expirar em dois tempos (nesse caso, 2 x 3” = 6”) e não reter sem ar tempo algum, pois não consta um quarto algarismo correspondente a essa fase, então ela corresponde a zero. Consequentemente, não se trata de retenção aleatória, à vontade do praticante. Esse é um ritmo avançado, desaconselhável para iniciantes, especialmente quando um tempo passa a ser de quatro segundos ou mais. Contribui para conduzir o praticante a estados superiores de consciência e a paranormalidades.

Enfim, existem várias outras formas de ritmo, que podem ser também associadas aos tipos de respiração: baixa média, alta e completa. Além disso, ainda existem os bandhas e as mentalizações. E todas as variedades e combinações são ensinadas diretamente pelo instrutor. Se um praticante adota em sala de aula uma determinada maneira de respirar não ensinada por um instrutor formado, estará colocando em risco a sua saúde. O Yôga é fundamentalmente empírico. Se a respectiva técnica for inócua ou mesmo nociva, com o tempo terá sido excluída. Se for eficiente e benéfica, terá sido incorporada ao patrimônio do Yôga. Mas, até que uma técnica seja inserida na nossa tradição, são necessários séculos de experimentação.

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5) Kriyá

Kriyá significa atividade. Os kriyás são técnicas de purificação típicas do Yôga Antigo. Consistem em uma verdadeira arte de limpar o corpo, por fora e por dentro, atentando para filigranas de fazer corar qualquer um de nós que se supusesse uma pessoa asseada.

Para a perplexidade do arrogante ocidental moderno, os kriyás foram elaborados numa época em que a maioria dos povos hoje tidos como cultos nem tomava banho, nem escovava os dentes. Nessa época, os yôgis já estavam mais preocupados com o fator higiene do que nós hoje em dia, mais que todos os povos de qualquer época.

Eles sabiam, por exemplo, que não adianta só lavar o lado de fora, a face visível do corpo, se deixarmos imunda a parte que não é vista. Tinham consciência de que isso não é lá muito honesto, pois parece-se muito com jogar a sujeira para baixo do tapete. Só que o tapete, nesse caso, é o nosso corpo!

Os principais kriyás são seis, denominados shat karma.

- Kapálabhati: limpeza do cérebro (segundo os textos clássicos hindus) e dos pulmões. Também pode ser catalogado como pránáyáma.

- Trátaka: limpeza dos globos oculares e treinamento para melhorar a visão. Tem atuação muito rápida para astigmatismo e hipermetropia.

- Nauli: limpeza dos intestinos e dos órgãos abdominais por massageamento.

- Nêti: limpeza das narinas e do seio maxilar com água (jala nêti) ou com uma sonda especial (sútra nêti)

- Dhauti: limpeza do esôfago e do estômago com água (jala dhauti) ou com uma gaze (vasô dhauti).

- Basti: Limpeza do reto e do cólon com água. Foi o ancestral clister.

Desses seis kriyás, apenas os 3 primeiros são utilizados em sala de aula. E além desses seis existem mais de outros vinte catalogados. Como a maioria dos kriyás não são isentos de riscos, optamos por não ensiná-los por escrito. Devem ser aprendidos diretamente com um instrutor formado. Exija dele o Certificado de Instrutor de Yôga, revalidado (atente para o fato de que um mero certificado de Yôga é diferente de um Certificado de Instrutor e de que, para esse propósito, deve estar sob a jurisdição da entidade de classe reconhecida).

Não custa, porém, deixar registradas três advertências:

- Se você já conhece alguns destes kriyás, saiba que a lavagem freqüente do seio maxilar ou dos intestinos pode causar dano à flora bacteriana.

- Não introduza no seu corpo nenhum líquido que não seja água filtrada e fervida. Não proceda ao jala basti imerso nas águas de um rio, como induz a ilustração desse kriyá em alguns livros de autor hindu: se houver caramujos você pode contrair esquistossomose.

- Não recomendamos os kriyás que utilizem outros recursos além do ar ou da água. Nenhum instrumento deve ser usado, a não ser para o danta dhauti kriyá (em que pode-se utilizar a escova de dente moderna), para o jíhva shôdhana (em que pode ser utilizada uma espátula ou uma colher das de sopa especialmente reservada para esse fim), e para a lavagem intestinal ou vaginal (em que pode-se utilizar a ducha de borracha).

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Nauli kriyá - limpeza dos intestinos e dos órgão abdominais por massageamento

6) Ásana

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Asana é toda posição firme e agradável (sthira sukham ásanam). Essa é a definição ampla e lacônica do Yôga Sútra, capítulo II, 46. Segundo tal definição o número de ásanas é infinito.

Outra frase, esta atribuída a Shiva, confirma a de Pátañjali: há tantos ásanas quantos seres vivos sobre a Terra.

Outros, porém, limitam o número de ásanas em 84.000, dos quais 840 seriam os mais importantes e, destes, apenas 84 fundamentais. No livro Tratado de Yôga, do Mestre DeRose, relacionamos mais de 2000 ásanas. E a maior compilação já realizada na História do Yôga em todo o mundo.

Mas o que é ásana, afinal? Asana é a técnica corporal que, para muita gente, melhor estereotipa o Yôga. Isso ocorre devido ao fato consagrado de que, dentre todas as técnicas do Yôga, a única fotografável, filmável e demonstrável em público é o ásana. Você poderia fotografar yôganidrá, filmar pránáyáma, ou demonstrar mudrá... mas não teria muita graça para o público leigo, a menos que fossem combinados com os ásanas. Assim, este anga acabou mais conhecido.

Asana é a técnica corporal, sim, mas não exclusivamente corporal. Nada a ver com ginástica, nem com Educação Física. As origens são diferentes, as propostas diferentes e a metodologia é diferente. Por isso, em Yôga não precisamos de muitas coisas que são fundamentais na Educação Física como, por exemplo, o aquecimento muscular. Em Yôga Antigo, não utilizamos o aquecimento muscular antes dos ásanas. Para quem tiver interesse no estudo comparativo do Yôga com a Educação Física e suas distinções, a fim de não repetir aqui explanações já publicadas, recomendamos a leitura do nosso livro Tudo sobre Yôga.

Por economia de palavras, as pessoas costumam refereir-se ao ásana exclusivamente pelo seu prisma corporal. Contudo, a técnica não merece o nome de ásana, a menos que incorpore outros elementos.

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Se for exercício físico não é Yôga. Asana tem que ter três fatores:

- PROCEDIMENTO ORGÂNICO (POSIÇÃO);

- RESPIRAÇÃO COORDENADA;

- ATITUDE INTERIOR.

O procedimento orgânico precisa ser:

- estável;

- confortável;

- estético.

A respiração coordenada precisa ser:

- consciente;

- profunda (abdominal e completa);

- pausada (ritmada)

A atitude interior precisa ter:

- localização da consciência no corpo;

- mentalização de imagens, cores e sons;

- bháva (profundo sentimento, ou reverência).

REGRAS GERAIS

Conforme já vimos, uma das principais características do Swásthya Yôga são as regras gerais de execução, justamente por constituírem o alicerce da auto-suficiência (swásthya)

Sem as regras gerais o praticante aprenderá apenas aquilo que seu instrutor lhe ensinar e nada mais. Se o instrutor ensinar dez ásanas e disser como respirar em cada um deles, quanto tempo permanecer, quantas vezes repetir, onde localizar a consciência, etc. e, depois disso, instrutor e praticante não puderem mais seguir juntos, o praticante só saberá executar aquelas dez técnicas que lhe foram ensinadas.

Com as regras gerais, nas mesmas circunstâncias, o praticante saberá executar praticamente todos os ásanas e poderá seguir aperfeiçoando-se indefinidamente, mesmo sem ter o instrutor ao seu lado. Por isso, temos discípulos que nunca nos conheceram pessoalmente por residirem em países distantes e, apesar disso, graças às regras gerais, tornaram-se exímios executantes, verdadeiros artistas corporais.

AS OITO REGRAS ATUALMENTE CODIFICADAS SÃO:

- Regras de respiração coordenada, de permanência no ásana, de repetição, de localização da consciência, de mentalização, de ângulo didático, de compensação, e de de segurança.

O Objetivo das regras é facilitar a vida do praticante. Portanto, não se preocupe em decorar regras. Simplesmente, vá aprendendo e executando ao mesmo tempo para entender e incorporar. Depois que automatizar a execução não se preocupe mais com isso. As quatro primeiras regras são suficientes para o iniciante.

Essas regras estão minuciosamente desenvolvidas no livro Tratado de Yôga, esgotado, mas que podem ser aprendidas em sala de aula diretamente com um instrutor de Swásthya.

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7) Yôganidrá

Yôganidrá é o relaxamento que auxilia o yôgin na assimilação e na manifestação dos efeitos produzidos por todos os angas. A eles, soma os próprios efeitos de uma boa descontração muscular e nervosa.

Não confunda yôganidrá com shavásana. Alguns tipos de Yôga não possuem em seu acervo a ciência da descontração denominada yôganidrá, que é de tradição tântrica, e encerram suas práticas com o shavásana. Este, como o próprio nome diz, é apenas um ásana, uma posição de relaxamento. O Yôganidrá aplica não apenas a melhor posição para relaxar, mas também a melhor respiração, a melhor inclinação em relação à gravidade, o melhor tipo de som, de iluminação, de cor, de perfume, de indução verbal, etc.

Antes de prosseguirmos, vamos precaver-nos contra um equívoco claudicante. E considerada gafe muito séria confundir Yôga com relaxamento. Na verdade, só nos últimos tempos é que o Yôga foi asssociado a conceitos de paz e tranqüilidade. Nas escrituras antigas o Yôga sempre esteve ligado a idéias de força, poder e energia. Jamais à calma ou relaxamento. Isso é coisa da sociedade de consumo. O conceito popular surgiu uma vez que tem muita gente lecionando sem ser formada. E essas pessoas conseguem trabalhar sem qualquer habilitação já que o consumidor não lhes cobra um certificado de formação profissional.

A que se deve essa distorção? A mesma que leva as pessoas a associar Karatê com alguém que dá um grito e quebra um tábua. Isso é uma caricatura. A imagem que as pessoas têm doa Yôga também é uma mera sátira que não faz juz à estatura da nossa filosofia de vida. O Yôga requer muito menos paciência que qualquer esporte ou arte. Por outro lado, a relação custo/benefício é excelente, por exemplo, na intensidade, rapidez e segurança com que atua, proporcionando flexibilidade corporal, fotalecimento muscular e vitalização de toda a estrutura biológica.

Se uma pessoa aprende a respirar melhor, administrar o estresse, concentrar-se melhor, trabalhar o corpo, alongando a musculatura, melhorando a postura, beneficiando órgãos internos, recebe um vigoroso incremento de saúde generalizada. Com a aquisição de tanta energia, os efeitos logo extrapolam o plano denso e começam a atuar no setor mais sutil como o desenvolvimento dos chakras (centros energéticos), o despertamento da kundaliní (poder a libido) e suas conseqüentes paranormalidades. Daí a meta, que é o samádhi, é um passo.

A parte mais sutil e interna só é desenvolvida se o praticante desejar. Caso contrário, ele se restringe ao trabalho orgânico que é a base de tudo. Como você pode perceber, nesse universo de técnicas e de efeitos, o relaxamento é uma parte insignificante no cômputo geral.

TIPOS DE RELAXAMENTO

Existem vários tipos de indução para relaxamento. Alguns deles são: relaxamento de cores; relaxamento de sons; relaxamento da praia; relaxamento da clareira no bosque; relaxamento da gota de orvalho caindo na superfície de um lago sereno; relaxamento da rosa; relaxamento da cachoeira de luz; etc.

Todos eles utilizam a mesa base inicial que consiste em um comando de descontração do corpo todo, parte por parte. A base inicial pode induzir a descontração, localizando a consciência em cada segmento do corpo, um por um, a fim de desligar todos os pontos de tensão. O comando da base inicial é quase sempre semelhante, mas pode seguir ordens distintas, variando a cada dia: descontração dos pés para a cabeça; descontração descendo pela frente, do pescoço até os pés, e subindo por trás, dos pés até a cabeça; descontração do centro para as extremidades, partindo do um bigo, sem retornar ao tronco; descontração em círculo (tronco, braço esquerdo, perna esquerda, perna direita, braço direito, cabeça); descontração em estrela (do tronco para os braços, pernas e cabeça, um por um, retornando ao tronco);

A melhor é dos pés para a cabeça, já que a morte geralmente ocorre nesse sentido – morremos primeiramente nos pés e, por último,a vida sai da cabeça (excluída a possibilidade de morte cerebral ou estado de coma).

Por isso, a posição de relaxamento denomina-se nada mais nada menos que shavásana, a posição do cadáver (shava = cadáver; ásana = posição), aludindo, entre ouras coisas, à ordem de retirada da consciência. Além disso, a cabeça só relaxa no final, para que o praticante permaneça “lúcido e consciente” durante o máximo de tempo e, se possível, por toda a descontração.

Em psicoterapia pode ser feito em ordem inversa, já que o terapeuta precisa assumir o controle do psiquismo do paciente para ajudá-lo. Então, primeiro relaxa o cérebro para suprimir o senso crítico e dominar o enfermo. Acontece que no Yôga antigo e autêntico, não trabalhamos com terapia e queremos que o praticante fique senhor da sua consciência, e cada vez mais lúcido!

Podemos utilizar recursos variados para atingir estados mais profundos e produzir efeitos específicos. Contudo, há duas coisas que devem ser evitadas: técnicas de hipnose e auto-sugestão. O Yôga não tem nada a ver com essas modalidades. Os comandos do Yôganidrá são completamente diferentes e é importante que o praticante não faça confusões. Queremos professar um Yôga legítimo e jamais um híbrido.

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8) Samyama

Concentração, Meditação e Hiperconsciência

E claro que nós cientistas usamos a intuição.

Conhecemos a resposta antes de ir checá-la.

Linus Pauling,

Prêmio Novel de Química

Meditação é uma palavra inconveniente para definir a prática chamada dhyána em sânscrito, já que essa técnica consiste em parar de pensar a a fim de permitir que a consciência se expresse através de um canal mais sutil, que está acima da mente, mas o dicionário define meditar como pensar, refletir.

Na verdade, o termo dhyána pode ser usado tanto para designar o exercício de meditação, quanto o estado de consciência obtido com essa prática. Ela consiste em concentrar-se e não pensar em nada, não analisar o objeto da concentração, mas simplesmente pousar a mente nele até que ela se infiltre no objeto. “Quando o observador, o objeto observado e o ato da observação se fundem numa só coisa, isso é meditação”, dizem os Shástras.

O estado de consciência que os britânicos do século XVIII arbitraram chamar de meditation é, na verdade, um tipo de intuição, ou seja, o mecanismo que possuímos para veicular a consciência, o qual está localizado acima do organismo mental. Intuição, todos já tivemos uma manifestação desse fenômeno, alguns mais outros menos. A intuição comum é como o flash de uma câmera fotográfica, só que não tem dimensão em termos de tempo. E um insight. Mas, sob treinamento, é possível desenvolver uma outra forma de intuição que se manifesta como um flash de uma filmadora, que acende e permanece aceso por um átimo. Chamamos a esse fenômeno intuição linear, quando conseguimos manter a intuição fluindo voluntariamente por um segundo inteiro –ou mais. Essa é a definição perfeita para o termo sânscrito dhyána.

OS TRÊS GRAUS DE MEDITAÇÃO

Existem basicamente três graus ou métodos de meditação: yantra dhyána, mantra dhyána e tantra dhyána.

- O exercício de primeiro grau visando à meditação é o yantra dhyána, que consiste em concentrar-se (aplicar dháraná) na visualização de símbolos ou imagens, até que a mente se sature e os vrittis cessem. Daí advém a estabilidade a consciência, pois desaparecem os fatores de turbulência. Os yantras podem ser: um forma geométrica, uma flor, a chama de uma vela ou tocha, o sol, a lua, uma estrela, o ÔM, etc. Mas só será efetivo se o exercício for feito sempre com um mesmo yantra. Os demais você pode experimentar nos primeiros dias para descobrir qual é o que lhe proporciona melhor concentração. Você deve pousar a sua mente no objeto da concentração, sem analisá-lo. Deixar que a sua mente seja absorvida pelo objeto até que o observador, o objeto observado e o ato da observação, passem a ser um só.

- O exercício de segundo grau visando à meditação é o mantra dhyána, que consiste em concentrar-se (aplicar dháraná) no som de um mantra sânscrito. Só pode ser sânscrito para evitar o nefasto choque de egégoras. Alguns Mestres admitem que possa ser utilizado eventualmente algum outro idioma hindu, desde que em pequena proporção. Não é necessário usar um mantra individual. O mantra ÔM é o márika mantra, ou mantra mater, que deu origem a todos os demais. O ÔM deve ser repetido em pensamento, ritmicamente, a curtos intervalos, produzindo o efeito “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

- O exercício de terceiro grau visando à meditação é o tantra dhyána, que é Gupta vidya e só pode ser ensinado mediante iniciação. Denomina-se tantra dhyána, não porque tenha algo a ver com a filosofia tântrica, mas pelo significado da palavra (net, teia). Você já viu uma teia na floresta, incrustada de gotículas de orvalho, qual diamantes, reluzindo os raios de sol? Parece algo sólido. Mas se a tocarmos ela desaparece instantaneamente. Isso faz alusão à sutileza do método de terceiro grau, assim como ao próprio Tantra, que é uma tradição secreta.

O interessante é que você pode alcançar a meditação profunda através de qualquer um desses graus. Uma vez obtida a parada dos vrittis, o resultado é sempre o mesmo, não importando o grau ou método usado. Importante é permanecer muito tempo em cada grau.

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