Mestre Sérgio Santos

O que é?  Para que serve? E outras questões relacionadas.  

O que é o Yôga?

Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi.

Esta definição tornou-se uma das mais aceitas por todos os tipos de Yôga, os quais consideraram-na a única que abarca as propostas de todos.

Samádhi é o estado de hiperconsciência que só pode ser desenvolvido pelo Yôga. Samádhi está muito além da meditação. Para conquistar esse nível de megalucidez, é necessário operar uma série de metamorfoses na estrutura biológica do praticante. Isso requer tempo e saúde. Então, o próprio Yôga, em suas etapas preliminares, providencia um acréscimo de saúde para que o indivíduo suporte o empuxo evolutivo que ocorrerá durante a jornada; e provê também o tempo necessário, ampliando a expectativa de vida, a fim de que o yôgin consiga, em vida, atingir sua meta.

Os efeitos sobre os órgãos internos, sistema nervoso e endócrino, flexibilidade, fortalecimento, aumento de vitalidade e administração do stress fazem-se sentir muito rapidamente. Mas para despertar a energia chamada kundaliní, desenvolver as paranormalidades e atingir o samádhi, precisa-se do investimento de muitos anos com dedicação intensiva.

Por isso, a maioria dos praticantes não se interessa pela meta da coisa em si (kundaliní e samádhi). Em vez disso, satisfaz-se com os fortes e rápidos efeitos sobre o organismo e a saúde.

O Yôga ensina, por exemplo, como respirar melhor, como relaxar, como concentrar-se, como trabalhar músculos, articulações, nervos, glândulas endócrinas, órgãos internos, etc. através de técnicas corporais belíssimas, fortes, porém que respeitam o ritmo biológico do praticante. A prática completa do SwáSthya Yôga compreende oito tipos de técnicas (mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana, yôganidrá, samyama) que vão atuar em oito áreas distintas, promovendo um aperfeiçoamento multilateral.

Para que serve o Yôga?

Essa pergunta faz tanto sentido quanto esta outra: para que serve a dança? Ou, para que serve jogar golfe? Ou, ainda, para que serve tocar piano ou pintar um quadro? Não se deve pensar no Yôga em termos de "toma lá, dá cá". Não devemos ir ao Yôga em busca de benefícios. Devemos ir ao Yôga se já há algo dentro de nós que nos impele a ele tal como impele o artista a pintar.

Freqüentemente confundem-se os meios com o fim. O fim, ou meta, em qualquer tipo de Yôga, é o autoconhecimento proporcionado pelo samádhi. Mas como via para atingir esse estado de hiperconsciência, de megalucidez, o SwáSthya Yôga proporciona uma gama de efeitos preliminares que servirão de reforço da estrutura biológica, incrementando a vitalidade, a saúde, a energia e a longevidade para que o yôgin consiga atingir a meta.

Tais benefícios corporais (musculares, articulares, circulatórios, neurológicos, endócrinos) não passam de efeitos colaterais, simples conseqüências secundárias, meras migalhas que caem da mesa principal. Quem se dedica ao SwáSthya Yôga em função dos seus efeitos é como se tivesse sido convidado para uma festa maravilhosa, com gente lindíssima e, ao invés de ir ao epicentro da recepção, tivesse ficado na cozinha, faturando os salgadinhos, e achando que estava sendo muito esperto por levar essa "vantagem".

Entretanto, quais os efeitos secundários do SwáSthya Yôga que fazem bem à saúde?

O SwáSthya proporciona uma flexibilidade espantosa e um excelente fortalecimento muscular. Com suas técnicas biológicas beneficia a coluna vertebral, e todos os órgãos.

É muito freqüente o iniciante exclamar que logo após as primeiras sessões ficou livre de uma enxaqueca que o atormentara durante dias, ou que libertou-se de uma asma de anos, resistente a todos os tratamentos, ou ainda que estava curado de uma dor nas costas atribuída a algum suposto problema de coluna, cujas terapias anteriores só serviram para aliviar temporariamente, mas sem resultados definitivos.

Na verdade, os efeitos rápidos sobre as úlceras, a hipertensão, a insônia, a impotência sexual, as dores de cabeça ou das costas podem ser muito mais facilmente explicados se os atribuirmos à redução de stress. Administrando a tensão emocional, nervosa e muscular, podemos aliviar uma vasta gama de sintomas que são apenas sinais de alarme, mas não chegam a ser, ainda, enfermidades na acepção do termo.

Acontece que a relação custo/benefício do Yôga é muito vantajosa uma vez que, não sendo terapia e sim uma prática, o preço é considerado irrisório comparado com o que cada praticante já despendeu anteriormente tentando outros recursos.

Os ásanas regulam o peso por estimulação da tireóide, oxigenação cerebral pelas posições invertidas, consciência corporal, coordenação motora e alongamento muscular que auxiliará outros esportes.

Os kriyás promovem a higiene interna, das mucosas do estômago, dos intestinos, do seio maxilar, dos brônquios, das conjuntivas, etc.

Os bandhas prestam um massageamento aos plexos nervosos, glândulas endócrinas e órgãos internos.

Os pránáyámas fornecem uma cota extra de energia vital, aumentam a capacidade pulmonar, controlam as emoções, permitem o contato do consciente com o inconsciente e ajudam a conseguir o domínio da musculatura lisa.

Os mantras, em primeira instância aplicam vibração de sons e ultra-sons para desesclerosar meridianos energéticos; em segunda instância permitem equilibrar os impulsos de introversão/extroversão e dinamizar chakras; em terceira instância, ajudam a obter o aquietamento das ondas mentais para conquistar uma boa concentração e meditação.

yôganidrá é o módulo de relaxamento, que auxilia a todos os anteriores e, juntamente com os demais angas da prática, implode o stress.

samyama (concentração, meditação e outros estados mais profundos) proporciona a megalucidez e o autoconhecimento.

Estes efeitos, e muitos outros, são simples conseqüências de práticas e procedimentos. Ocorrem como resultado natural de estarmos exercitando uma filosofia de vida saudável. Se aprendemos a respirar melhor, relaxar melhor, dormir melhor, comer melhor, excretar melhor, fazer exercícios moderados e manifestar uma sexualidade melhor, os frutos só podem ser o incremento da saúde e a redução de estados enfermiços.

Existem dois tipos de praticante: um que vem buscando benefícios e outro que vem buscando Yôga. Cada qual vai encontrar o que veio buscar. Para o instrutor, o praticante que deseja Yôga e não vantagens pessoais é mais gratificante. Isso não significa que vamos recusar nem discriminar o outro. Esperamos simplesmente reeducá-lo para conscientizar que uma coisa nobre é o Yôga e outra bem inferior são seus efeitos.

O praticante que quer o Yôga e não meramente os seus benefícios, lê, pesquisa, investe, dedica-se. Já o que busca efeitos, esse não está se importando com a seriedade ou autenticidade do método, encorajando, dessa forma malsã, a disseminação de ensinantes sem formação nem habilitação, mas que saibam prometer benefícios.

O sádhaka que busca benefícios não valoriza os estudos mais profundos nem as sofisticações técnicas que seu instrutor se esforça por oferecer. Ele quer benefícios e tanto faz se o método é autêntico ou não, desde que consiga usufruir dos efeitos. Mesmo que eles sejam produto de uma mistura exótica e apócrifa que nada tenha a ver com o Yôga.

Agora, imagine uma outra situação, conseqüência da atitude acima descrita. Suponha que você é um professor de Ballet Clássico e, cada vez que vá ensinar uma técnica mais elaborada para tornar seu aluno um bailarino de verdade e não um mero iludido, ele reclame:
– Ah! Professor, não exija tanto de mim. Eu não estou aqui para aprender a dançar. Vim só para emagrecer.
E um outro:
– Eu também não quero dançar. Só quero melhorar da coluna.
E outro mais:
– Já não estou em idade de dançar. Meu médico me mandou aqui para tratar da asma.
No final, você é professor de dança, mas ninguém quer aprender a dançar, pois estão todos de olho só nos benefício para a saúde! Que frustração! Isso é o que ocorre sistematicamente com os instrutores de Yôga.

Por essa razão não gostamos de falar sobre os superlativos benefícios que a prática do Yôga pode proporcionar. Quem vem praticar conosco é porque entendeu nossa proposta e já sabe o que quer.

O Yôga é uma espécie de ginástica?

Não. O Yôga não é nenhum tipo de ginástica nem modalidade alguma de Educação Física. Uma prática completa de Yôga compreende técnicas emocionais, mentais, corporais, bioenergéticas etc., através de procedimentos orgânicos, respiratórios, relaxamentos, limpeza de órgãos internos, vocalizações, concentração, meditação. Ora, isso não pertence à área de Educação Física. Mesmo as técnicas corporais do Yôga não são atividade física nem desportiva e são completamente diferentes das da ginástica. Até as regras e os princípios são totalmente diversos. Vejamos alguns exemplos:


1) MOVIMENTO

• Na Educação Física o movimento e a repetição são elementos fundamentais. A boa forma, os efeitos e o bom rendimento dependem da repetição adequada.
No Yôga, mais do que o movimento, o que importa é a permanência na fase crítica da técnica e, mais do que a repetição do mesmo procedimento, importa a diversificação das técnicas, ainda que possam ser convergentes com relação aos efeitos proporcionados.

2) AQUECIMENTO

• Na Educação Física é imprescindível um bom aqueci-mento muscular prévio para evitar distensões.
• No Yôga não se faz aquecimento prévio, mesmo que esteja muito frio. Apesar disso, no Yôga não se obser-vam distensões. O fenômeno explica-se, em parte, pela ampla consciência corporal desenvolvida pelo praticante, que passa a conhecer perfeitamente seus limites e sabe que não deve excedê-los e, em parte, pela sofisticada tecnologia desenvolvida empiricamente durante cinco mil anos de experiência.

Ocorre que, quando as fibras musculares são aquecidas, dilatam-se, dando a falsa impressão de maior flexibilidade, mas depois voltam a se contrair pelo esfriamento no final do exercício. No SwáSthya Yôga não utilizamos aquecimento, o que faz com que as fibras musculares desenvolvam um alongamento real, definitivo, mesmo quando o corpo estiver frio.

Isso também fundamenta fisiologicamente o fato comprovado de que a performance conquistada pelo praticante de Yôga incorpora-se definitivamente ao seu patrimônio corpo-ral e ele, mesmo parando de seguir um programa regular de prática, não perde a boa forma durante meses ou anos, de-pendendo do nível de adiantamento obtido na fase de trei-namento intensivo.

Assim, quando um praticante de Yôga é surpreendido por um incidente físico conta com um organismo muito bem condicionado a reagir sem a necessidade de aquecimento prévio. Como um gato, fica instantaneamente em condições neurológicas e endócrinas para enfrentar o desafio. Depois, volta rapidamente à calma.

3) ÁREAS ATINGIDAS

• A Educação Física atinge prioritariamente músculos e articulações. Depois, o sistema cardiovascular. Só secundariamente, o resto do organismo. A mente não é trabalhada e limita-se a receber o benefício da higiene mental, o "mens sana in corpore sano". Mas não há exercícios mentais nessa especialidade que se propõe a uma educação física.
• No Yôga é exatamente o inverso. Os efeitos começam se processando nas áreas mais profundas e afloram até chegar ao organismo. Nele, manifestam-se inicialmente nos sistemas nervoso e endócrino. Depois, no sistema circulatório e nos órgãos internos. Só por último os resultados chegam às demais partes do organismo.

4) RESPIRAÇÃO

• Na Educação Física dá-se uma razoável importância à respiração, porém não há uma tecnologia respiratória específica. Basta fazer respirações profundas. Permite-se respirar pela boca. Tradicionalmente (ainda hoje) é comum que o treinador mande o desportista encher de ar a parte alta do tórax em detrimento da região dia-fragmática, que é a mais importante pela quantidade maior de ar que comporta.

• No Yôga, uma das primeiras coisas é reaprender a respirar. Respirar sempre pelas narinas, fora os casos excepcionais. Fazemos treinamento para dominar eletivamente os músculos respiratórios abdominais numa circunstância, intercostais noutra, subclaviculares noutra e assim por diante. Controlamos diferentes ritmos para distintos objetivos, e acoplamos a determinadas técnicas respiratórias a contração deste ou daquele plexo ou glândula endócrina, a fim de dinamizar o efeito da técnica.

Utilizamos 46 respiratórios diferentes e mais alguns que não podem sequer ser ensinados por livros, tal o poder que pos-suem e também devido à sua capacidade de despertar paranormalidades. Estas, as paranormalidades, também não fazem parte do currículo de Educação Física!

5) GASTO DE ENERGIA

• Na Educação Física tudo produz consumo de energia, sem o quê os efeitos não se processam.
• No Yôga, em sete oitavos da prática (sete em oito tipos de técnicas) o dispêndio de energia é próximo de zero. Em todos os oito feixes de técnicas capta-se, gera-se, canaliza-se ou armazena-se energia solar, telúrica e prá-nica de diversos tipos, das mais variadas fontes limpas e inesgotáveis.

Por isso as técnicas de Yôga são agradáveis e não cansam. Mesmo sem esforço os efeitos ocorrem com intensidade, desde o primeiro dia.

O Yôga é melhor que Educação Física?

São duas coisas completamente diferentes. Portanto, nenhuma é melhor que a outra. Todo praticante de Yôga deveria fazer algum esporte e todo desportista deveria complementar com o SwáSthya Yôga.

 

Então, o praticante de Yôga pode fazer ginástica, musculação, dança e artes marciais?

Pode e deve. São coisas completamente independentes do Yôga, contudo, consideramo-los bons, saudáveis e eficientes naquilo a que se propõem. O Yôga tem propostas diferentes, mas não divergentes.

 

Mas a ginástica não prejudica o Yôga?

Não. Alguns praticantes declaram que a partir do momento em que começaram a fazer ginástica sentiram que a flexibilidade reduziu, porém isso não chega a constituir problema. Basta fazer uma boa sessão de alongamento após a aula de ginástica, musculação, dança ou artes marciais e a sua flexibilidade será preservada. Ou, ainda no local da prática esportiva, deixar o corpo esfriar executando ásanas do Yôga. Aliás, dá na mesma, pois o "alongamento" nasceu do Yôga. É nada mais do que um dos muitos aspectos da parte orgânica do Yôga. Confira declaração no livro Alongue-se, de Bob Anderson, página 66 e compare os exercícios que ele ensina com as técnicas de Yôga.

Sobre alongamento e flexibilidade, o ilustre Prof. Dr. Estélio Martins Dantas, ex-preparador físico da Equipe Brasileira Feminina de Ginástica Olímpica, declara em seu artigo Flexibilidade versus Musculação publicado na revista Sprint de maio/junho de 1985, referindo-se aos métodos utilizados em Educação Física:

"Método Ativo (...) consiste em realizar três a quatro séries com dez a vinte repetições cada uma. Devido a constantes estiramentos, ativa os fusos musculares provocando contração muscular e tornando o trabalho mais difícil e doloroso.

"Método Passivo - consistindo em posições estáticas, foi inspirado no Yôga. Além de ser 20% mais eficiente que o método ativo (Oliveira-1980), segundo De Vries, citado por Kuntzleman (1978), 'representa menos perigo de dano tecidual, tem menor demanda energética e faz prevenção e/ou consegue aliviar a tensão e a dor muscular.'

"Atualmente, principalmente em ginástica olímpica vem sendo empregado este método com permanências extra-longas (em torno de 5 minutos)."

O Yôga não é uma modalidade suave, muito parada? Uma espécie de relaxamento?

O Yôga Antigo não é uma espécie de relaxamento. Ele é biológico, não cansa e não agride músculos, ligamentos ou vértebras. Contém técnicas de relaxamento, mas elas constituem apenas uma pequena parte. O que ocupa a maior parte do tempo de uma prática regular são os outros procedimentos, tais como os respiratórios, as técnicas orgânicas, a concentração, os mantras, a meditação etc.

O Yôga é terapia?

Não. Afirmar que o Yôga é terapia é o mesmo que declarar que natação ou tênis são terapias. Algumas pessoas podem praticar tênis como "uma verdadeira terapia" ou natação para asma, mas isso não pode desvirtuar a verdadeira natureza do tênis ou da natação, que é a de esporte.

Da mesma forma há quem explore a yôgaterapia, que não é Yôga e sim um sistema medicinal inspirado no Yôga. Esse fato não deve desfigurar a identidade do Yôga, que é sabidamente uma filosofia. Todos os dicionários e enciclopédias classificam o Yôga como filosofia.

Para uma pessoa saudável, o Yôga aprimora sua saúde de tal forma que constitui uma excepcional profilaxia, eliminando enfermidades futuras, antes mesmo que se manifestem. Para um praticante que passe por um problema de saúde temporário, o Yôga tem a propriedade de reduzir verticalmente a intensidade do mal passageiro e restituir a saúde do yôgin muito rapidamente. No entanto, não se deve procurar o Yôga só quando se está precisando.

Mas os médicos não recomendam aos seus pacientes a prática do Yôga?

Hoje já verificamos uma tendência dos médicos a só indicar o Yôga para pacientes saudáveis e mais jovens. Pessoas que precisam se exercitar ou administrar o stress, mas não são o que se pode classificar como "doentes".

O Yôga Pré-Clássico (o mais antigo) não menciona finalidades terapêuticas. Tais referências só surgem lá pela Idade Média, cerca de 4000 anos após a origem dessa filosofia. Portanto, isso não faz parte da proposta original do Yôga.

Não basta cuidar dos sintomas mediante um tratamento limitado a mascarar cada uma dessas manifestações. Elas podem ceder, mas voltam. Ou então, estouram noutro lugar. É como se o stress fosse um assaltante na sua casa e disparasse o alarme, mas você preferisse, em vez de tratar da causa, desligar o alarme já que ele faz barulho e incomoda. Podemos aliviar os sintomas, desde que também cuidemos das causas. Isso, o Yôga nos proporciona.

Ensinar Yôga a enfermos ou para a terceira idade obrigaria a adaptação e simplificação das técnicas, tornando-as obsessivamente leves e passivas. Esse procedimento afastaria da escola que assim procedesse, o público jovem e saudável para o qual nossa arte foi criada e deixaria no seu lugar os idosos e doentes. Como seqüela final, essas práticas simplificadas não teriam poder suficiente para produzir os efeitos a que o Yôga se propõe: kundaliní e samádhi.

Se assim é, há algum motivo pelo qual os livros de Yôga relacionam tantos efeitos terapêuticos?

Sim: eles existem. Negá-los seria mentir. Porém, é preciso esclarecer que são efeitos colaterais e que a proposta do Yôga não é essa.

Parando de praticar o Yôga os efeitos cessam? Em quanto tempo perde-se a boa forma?

Você praticamente não sai de forma. Os progressos são incorporados ao seu patrimônio corporal. Tenho acompanhado casos de pessoas que pararam de executar as técnicas durante até dez anos e a boa forma, a flexibilidade e a musculatura foram muito bem conservadas.

Antes que você queira julgar o Yôga pelos parâmetros da Educação Física, lembre-se de que Yôga não é atividade física nem desportiva, não é ginástica, nem esporte. Segue princípios e leis absolutamente distintos dos da Educação Física.

Para preservar por tempo indeterminado os efeitos obtidos com o Yôga é necessário apenas que antes de parar você tenha praticado durante um período razoavelmente longo, a fim de atingir um bom nível de adiantamento.

 

O Yôga tem algo a ver com religião?

Não, nada. Uma das demonstrações cabais de que Yôga não interfere com a religião é o fato de que as Universidades Católicas do Brasil formam instrutores de SwáSthya Yôga, desde a década de 70. Tenho o privilégio de ter sido o introdutor desse curso e de ser seu ministrante desde então, em quase todas as Universidades Católicas, desde o Rio Grande do Sul até o Norte/Nordeste.

Em termos teológicos o que caracteriza a religião é o dogma de fé. Não tendo dogmas, não pode ser religião. O Yôga não os tem.

 Além disso, o Yôga Clássico tem bases Sámkhyas. O Sámkhya é uma corrente naturalista e que, em algumas fases históricas, chegou a ser qualificada, erroneamente, de materialista e ateísta, tal era a sua ausência de misticismo! Então, o Yôga autêntico não pode sequer alimentar misticismo algum. Consulte documentação no capítulo Bibliografia discriminada, no livro Tratado de Yôga.

 Pessoas de todas as religiões praticam Yôga, inclusive padres e freiras católicos, pastores protestantes, judeus, budistas e xintoístas. Esse é o caso do Padre Haroldo J. Rham, que no livro Esse terrível jesuíta, da Editora Loyola, na página 138 aparece numa foto praticando sirshásana sobre um colchonete com o nosso logo da Universidade de Yôga.

E sobre a existência de gurus no Yôga? 

O termo guru aqui no Ocidente ganhou uma conotação de mestre influente, mentor respeitado, pessoa que orienta ou aconselha (Dicionário Houaiss). Acontece que na Índia, guru não tem forçosamente esse sentido e sim, simplesmente, o de professor de qualquer disciplina. Eu mesmo tive lá um guru de música, um guru de línguas e um guru de filosofia. Então, a palavra em si é um termo bem despretensioso. Assim sendo, no correto sentido hindu, sim, qualquer instrutor de Yôga, de escola primária, de idiomas, de qualquer disciplina é um guru. Mas no sentido popular, não, SwáSthya Yôga não tem nada a ver com “gurus”.

Se o Yôga não tem misticismo, de onde vem todo aquele espiritualismo e conceitos reencarnacionistas?

O Yôga não aplica tais conceitos. O reencarnacionismo e o espiritualismo pertencem a uma outra filosofia indiana chamada Vêdánta. Várias outras correntes de pensamento indianas também adotam tais conceitos, mas não o Yôga puro pelo fato de este não possuir teoria especulativa. O Yôga é estritamente técnico. Fique atento: quando alguém se propuser a falar sobre Yôga, mas abordar temas teórico-especulativos ou doutrinários poderá estar ocorrendo equívoco ou má-fé.

As pessoas confundem Vêdánta com Yôga por falta de informação. Esta confusão é encontrada em muitos livros de Yôga, especialmente quando o autor for adepto do Vêdánta.

Na verdade, o Yôga não tem nem afinidade de origem com o Vêdánta. O Yôga Antigo, tanto o Pré-Clássico quanto o Clássico, era de linha Sámkhya. Ora, Sámkhya e Vêdánta são filosoficamente opostos entre si, já que o primeiro é naturalista e o segundo, espiritualista. Naturalista é a filosofia que atribui causas naturais a todos os efeitos. Espiritua-lista é a que atribui causas sobrenaturais.

A afinidade de origem do Yôga com o Sámkhya (e não com o seu oposto, o Vêdánta) encontra respaldo em toda a literatura séria sobre o assunto. O próprio Bhagavad Gítá, que não é literatura de Yôga nem de Sámkhya, associa o Yôga com o Sámkhya, e não com o Vêdánta, ao declarar: "Yôga é poder. Sámkhya, conhecimento. Quem possui Yôga e Sámkhya, nada mais tem a conquistar." Até o dicionário Aurélio concorda: "Yôga é a prática da filosofia Sámkhya." Excelente definição!

Yôga e Sámkhya, juntos, são denominados sanátane dwe, que significa "as duas mais antigas" ou "as duas eternas".

 

O Yôga é só para homens?

Na Índia, seu país de origem, o Yôga é uma arte de cavalheiros. Muito raro é encontrar-se uma senhora indiana praticando em uma escola ou ashram, a não ser nos grandes centros como New Delhi. Se alguém lhe pedisse para cita dez autores de Yôga hindus, é bem provável que você citasse dez homens e nenhuma mulher.

No Ocidente homens e mulheres praticam normalmente, assim como podem se dedicar ao Karatê que é outra arte oriental destinada originalmente aos homens.

O Yôga não deve servir só para orientais, já que foi criado na Índia e nós ocidentais somos diferentes?

Diferentes em quê? Na anatomia e fisiologia? Sabemos que não. O mesmo alimento nutre tanto a um ocidental quanto a um oriental. O mesmo veneno mata os dois. O mesmo remédio cura a ambos. Ah! Então, é psicologicamente que somos diferentes? Também não. Não existe uma psicologia para ocidentais e outra para orientais: é uma e única para todos. Afirmar que Yôga não funciona para ocidentais por ter sido criado no Oriente é estultícia. Seria o mesmo que afirmar que Judô, Karatê, Kung-Fu não funcionam para nós por terem sido criados por orientais.

Aliás, o papel, a seda, a bússola, a pólvora, o macarrão, o jogo de xadrez, a roda, a massagem, a acupuntura, a mate-mática, os algarismos "arábicos" (na verdade índicos), o conceito do zero, a química, a astronomia, a medicina... tudo isso foi criado pelos orientais. Até o Cristianismo veio do Oriente! Devemos então supor que todas essas coisas não servem para nós?

Isso de dizer que orientais são diferentes dos ocidentais constitui apenas um pretexto separatista entre seres humanos para justificar os atos de violência física ou moral contra nossos irmãos orientais, negros, índios, judeus, latinos etc. tais como guetos, colonialismo, apartheid.

“Quando vós nos feris não sangramos nós? Quando nos divertis não rimos nós? Quando nos envenenais, não morremos nós? Se somos como vós em todo o resto, nisso também seremos semelhantes.”
Shakespeare, O Mercador de Veneza Ato III cena 1

Mas o Yôga foi criado há muito tempo e não há de servir para o homem moderno que vive noutra realidade cultural.

Poderíamos nos reportar à resposta anterior e perguntar se todas aquelas criações dos orientais surgidas há centenas e há milhares de anos ainda estão atualizadas e se ainda servem para nós...

Mas, preferimos abrir mais uma comporta no bom-senso. O homem contemporâneo não é nem um pouco diferente dos seus ancestrais de 5000 anos.

Um antigo filósofo grego escreveu, antes de Cristo, que não gostava da vida nas grandes cidades devido à poluição sonora, excesso de fumaça, gente demais, tráfego engarrafado, muita violência e corrupção. Ora, isso não mudou nada.

Nas escolas de oficias das Forças Armadas estudam-se as guerras de há quatro mil anos, apesar dos avanços tecnológicos na área bélica, já que a estratégia militar é praticamente a mesma até hoje. A História se repete. “Há dois mil anos, o povo se satisfazia com pão e circo. Hoje, contenta-se com pain au chocolat e Cirque du Soleil (DeRose).” Ou seja, continua tudo igual!

O Homem não evolui tão depressa e continua sendo o mesmo. Aliás, por ironia, o tronco que está fazendo superlativo sucesso no século XXI é justamente o Pré-Clássico: para o Homem moderno, o método que mais agrada é precisamente o mais antigo. Denomina-se Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yoga, denominado SwáSthya, após a codificação.

O Yôga reprime? Ouvi dizer que os adeptos não dançam, não podem comer de tudo e não podem ter uma vida sexual plena e saudável.

A metodologia que ensinamos não reprime e não proíbe coisa alguma. O que reprime é o sistema comportamental ariano denominado brahmáchárya. Após a ocupação ariana os indianos adotaram maciçamente o brahmáchárya e isso faz crer aos menos informados que tudo o que venha da Índia compreenda tal comportamento, mas não é assim. Yôga é uma coisa e brahmáchárya é outra.

Na Cultura que propomos não há restrições à liberdade das pessoas. Orientamos, mas dentro do respeito pela liberdade de escolha. Cada um come o que quiser e faz da sua sexualidade o que considerar mais adequado.

Quanto a dançar, Shiva, o criador do Yôga, era um dançarino que tinha o título de Natarája, "rei dos bailarinos". Em sua representação tradicional aparece dançando dentro de um círculo de fogo e pisoteando a ignorância, essa mesma ignorância que leva algumas pessoas a divulgar concepções errôneas sobre a metodologia que ensinamos.

Com relação às atitudes estranhas ou repressoras, tal responsabilidade cabe muito mais à fantasia de uma mente conflitada e ao fanatismo típico de um praticante mal orientado.

Quer dizer que para praticar não sou obrigado a ser vegetariano?

A filosofia que preconizamos não obriga a coisa alguma. No entanto, todos os esportes e até profissões têm um tipo de alimentação especialmente recomendada. Imagine se um executivo poderia ter a mesma alimentação de um estivador ou vice-versa. Ambos renderiam menos e teriam sua expectativa de vida abreviada.

Inclusive no esporte, cada modalidade tem uma alimentação específica. Por exemplo, a dieta do corredor é diferente da do fisiculturista. Mas a coisa ainda não é tão simples.

Entre os corredores, a alimentação do de 100 metros rasos é uma e a do maratonista, outra. O primeiro precisa de explosão, tem que ter em seus músculos elementos nutricionais capazes de se transformar em grande quantidade de energia em poucos segundos. O outro precisa que suas reservas não se queimem nem em segundos nem em minutos. É necessário um regime de lenta combustão para que o maratonista perfaça os quilômetros a que se propôs e tenha energia até o final.

No que concerne aos que se exercitam com pesos, também verifica-se a necessidade de uma alimentação específica para quem se dedica à hipertrofia muscular e outra bem distinta para os que trabalham para definir a musculatura.

E assim sucessivamente, com detalhes e minúcias assombrosas. Alguns desportistas não estão levando muito a sério essas filigranas nutricionais. Como conseqüência, temos acompanhado o baixo rendimento dos Latino-americanos nas Olimpíadas, perante outras nações que dão mais atenção à dieta do desportista.

Muita gente diz que quer adotar a Nossa Cultura, desde que ela não interfira nos seus hábitos. Acontece que tudo o que você for fazer seriamente, interfere. Se você pretende aprender um instrumento musical, pintura ou esporte, qualquer uma dessas coisas vai alterar os seus hábitos. Modificará até pequenos detalhes como a sua maneira de falar, vestir-se, pentear-se ou cortar as unhas!

O sistema que aplicamos não proíbe nada e não obriga a coisa alguma. Você pode comer de tudo. Mas se quiser aproveitar a totalidade do que o método tem para lhe oferecer, recomenda-se uma alimentação específica, mais biológica, que proporcione determinados nutrientes necessários em função quantidade de energia, do teor de consumo de oxigênio e de gorduras, da quantidade/qualidade de proteí-nas, vitaminas e sais minerais, do coeficiente de resíduos deixados no organismo etc.

Nesta pergunta, só foi perguntado se o Yôga obriga o praticante a tornar-se vegetariano. A resposta é: não obriga.

E com relação às drogas?

Nesse particular somos bem categóricos. Yôga e drogas definitivamente não combinam.

Qual é o perfil de um praticante?

Entre os nossos alunos sempre houve pessoas de ambos os sexos em proporção semelhante e pessoas de todas as idades, profissões, raças e credos.

Nos últimos anos nosso trabalho vem sendo mais procurado por estudantes, empresários, executivos, profissionais liberais, desportistas, políticos e artistas.

A faixa de idade estabilizou-se entre 20 e 50 anos de idade. Algumas pessoas com menos, outras com mais. Quanto às religiões dos praticantes, notamos que cresceu bastante o número de adeptos de todas as religiões. Dentre os protestantes temos observado mais procura por parte dos adventistas e batistas. Os que não compreendem nossa filosofia e chegam a publicar matérias difamatórias são algumas seitas evangélicas. Mas isso se explica: algumas são pessoas humildes que pela injustiça social ficaram comprimidas na base da pirâmide cultural.

Em termos sócio-econômicos, nosso sistema de aprimoramento pessoal é mais procurado pelas classes culturais A e B. A classe C gosta de Yôga, mas poucos desse grupo o praticam em escolas especializadas por problemas econômicos. Por outro lado consomem muitos livros e CDs para praticar sozinhos. Já a classe D cultural não sabe o que é o Yôga, não faz parte do seu universo. Pensa que se trata de alguma espécie de seita, ou de ginástica, ou de terapia.

As profissões que mais procuram nossa escola são, em primeiro lugar, os engenheiros; depois, os advogados, médicos, dentistas, arquitetos, professores de educação física, dança e artes marciais. Os estudantes universitários também formam uma parcela expressiva.

Outra tendência observada nos últimos tempos foi a de muitos empresários e executivos descobrirem que nossos recursos podiam ajudá-los não apenas a administrar o stress, mas também aumentar sua produtividade e melhorar sua qualidade de vida. Por esse motivo, muitos deles introduziram o Nosso Método nas respectivas empresas.

Nos cargos de decisão e comando, ao controlar o stress, nossa metodologia reduziu os índices de esgotamento, estafa, úlceras, gastrite, pressão alta, enfarto, enxaqueca e insônia. No pessoal de escritório, ao combater o sedentarismo, eliminou dores nas costas, corrigiu alguns problemas de coluna, hemorróidas, sonolência depois do almoço e irritabilidade que atrapalhava as relações humanas entre os funcionários e emperrava a máquina administrativa. Entre os operários, aumentou a produtividade em cerca de 30%, pois oxigenou seus cérebros e lhes proporcionou mais concentração, o que reduziu os erros operacionais e os acidentes para quase zero. Em todos os escalões observou-se uma queda considerável nas faltas ao trabalho por motivos de saúde. Só de gripes, por exemplo, as faltas caíram pela metade.

Os profissionais ligados à área de esporte nos procuram uma vez que são beneficiados com o aumento de resistência, alongamento muscular, flexibilidade, know-how contra distensões, mais concentração e controle emocional.

Os artistas descobriram que nossos recursos precipitam a sensibilidade e a criatividade. Aí, incluem-se os artistas plásticos, os da música e até os da publicidade. É enorme o número de cantores e atores de televisão que praticam conosco, sem falar nos locutores que vêm buscar as técnicas de respiração e mantra para educar a voz.

Os estudantes estão interessados no melhor aproveitamento com menos horas de estudo e no controle do sistema nervoso nas provas.

Como vemos pelos exemplos acima, quase ninguém está interessado no Yôga em si. Quase todos querem só os benefícios utilitários que constituem apenas seus efeitos colaterais. Nossa Cultura é superlativamente maior, mais importante e mais profunda do que esses pequenos benefícios.

Grande parte desse texto foi extraído do livro Tudo Sobre Yôga, do Mestre DeRose