Mestre Sérgio Santos

Uma breve autobiografia

 

Como cheguei ao Yôga

Eu praticava muitos esportes. Desde a adolescência jogava futebol, fazia corrida, natação, ciclismo, tênis, mergulho e escalada. Praticava também voo livre, com asa delta, especialmente dedicando-me entre 1979 e 1986. Fui um bom piloto de competição e acabei parando de voar, dentre outras razões, porque precisei e optei dedicar-me mais tempo ao Yôga. Desde então nunca mais voei, mas continuo um aficionado e apaixonado pelo voo livre.

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Década de 80, nos ares das Minas Gerais (Serra da Moeda, 40 km de Belo Horizonte).

 

Além de gostar de atividades físicas, lia muito, principalmente buscando conhecimentos. Interessa-me a literatura científica e religiosa, em geral, e também me orientava através de outras fontes culturais não acadêmicas. Naquele tempo, especialmente, senti-me atraído pela filosofia do Yôga. Então lia e estudava os livros das mais diferentes linhas dessa tradição. Entretanto, tudo me parecia superficial e simplório e eu não me identificava com nada específico... até o dia em que conheci o livro Prontuário de Yôga Antigo, do Mestre DeRose.

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Capa da segunda edição do livro Prontuário de Yôga Antigo, do Mestre DeRose.

 

Foi quando, em 1983, entrei numa escola em que se lecionava essa linhagem mais antiga e profunda, conhecida como Swásthya Yôga. Já nos primeiros meses pude vivenciar várias técnicas que ampliaram o autoconhecimento e minha visão de mundo. Queria praticar bastante. Além das sessões com um professor especializado, durante alguns anos pratiquei sozinho cerca de 8 horas por dia. Minha energia, concentração, consciência corporal, flexibilidade, sentidos, percepções e reflexos se aguçaram bastante, o que me ajudou muito nos esportes que fazia na época. A partir daí fui mudando hábitos, refazendo conceitos e trilhando o longo caminho da evolução interior.

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Praticando ásanas, há muito tempo atrás...

 

Desde os 16 anos de idade fui empregado de uma grande empresa. Tinha uma boa situação financeira, teria uma carreira sólida, talvez, mas era um trabalho que não me satisfazia. Terminei o segundo grau e fiz vestibular para medicina. Não passei e fui cursar matemática. Na verdade, como a maioria dos jovens, não sabia bem que rumo tomar... até eu me encontrar no Yôga como filosofia e também como profissão. Logo que iniciei as práticas me ingressei no Curso de Formação de Instrutores, até concluí-lo com o mestrado.

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Em minha primeira viagem internacional - Rio Ganges, Himalayas, Índia, 1987.

 

Há 33 anos faço do magistério do Yôga meu único ofício. Investi muito tempo de vida e recursos financeiros - como um médico também o faz em sua carreira profissional. Fiz centenas de cursos de aprimoramento por todo o Brasil, Índia e diversos outros países das Américas e da Europa. Especializei-me em diversas áreas dentro dessa filosofia, tais como, respiração, meditação, técnicas corporais, e outras. Fui palestrante em diversos congressos e festivais. Monitorei e supervisionei novos instrutores que, por sua vez, abriram suas escolas e fizeram carreira. Escrevi alguns livros que estão hoje espalhados pelo mundo. 

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 Noite de autógrafos do livro Yôga, Sámkhya e Tantra - Foto de 2006.

 

Quem sou eu

Na minha área profissional sou conhecido como Mestre Sérgio Santos. Conquistei esse título através de várias Universidades, sendo chamado informalmente de mestre por alguns praticantes que, com carinho, assim me tratam. E me considero como tal, tanto quanto são designados um mestre de capoeira, um mestre de obras, um mestre de jangada, etc. Num certo sentido filosófico da palavra, não sou mestre de ninguém e nem faço discípulos. Tampouco idolatro divindades, santos ou gurusDentro da função que exerço, sei o suficiente para ensinar e orientar aqueles que se afinizam com as propostas deste trabalho. Utilizo a metodologia do Yôga como ferramenta consciencial para que cada um possa romper paradígmas, sair da sua gaiola interna e voar em liberdade com as suas próprias asas.

De certo modo sou um ser humano como outro qualquer. Quero o poder e o sucesso. O poder de lutar com as minhas próprias imperfeições e o sucesso de superá-las gradativamente, lapidando-me para melhorar sempre um pouco mais a cada dia. Dedico-me ao autoestudo, à observação da Natureza e à respectiva aplicação desse conhecimento através da convivência com os meus semelhantes. Cada um tem algo para dar de si e ensinar, independentemente da sua condição sócio-econômica ou títulos acadêmicos. Juntamente com cada ser humano, sou um vivente a mais, passando pelas suas próprias experiências e processos, dentro de um mesmo contexto histórico em nosso diminuto planeta... Por isso, sinto-me bem ignorante sob muitos aspectos, com a consciência das minhas limitações, da minha pequenez diante das possibilidades infinitas da existência e da minha insignificância diante da imensidão do Universo.

O Mestre DeRose, a Uni-Yôga e o Swásthya.

Fui supervisionado pelo Mestre DeRose durante quase 30 anos. Foi ele quem sustentou meus primeiros passos e em quem me inspirei para moldar o caráter e construir a minha personalidade no Yôga. Desde o princípio identifiquei-me com seus pontos de vista, compreendi as suas ideias e respeitei o seu modo de ser e agir. Da minha parte, encerrei a relação Mestre-discípulo como um filho que deixa a casa dos pais para seguir o seu próprio caminho, dentro da sua respectiva natureza, liberdade e individualidade. Levo na bagagem muito aprendizado, ótimas recordações e bastante gratidão. Tenho por ele um carinho especial guardado no peito. Sei que o nosso distanciamento é temporário e que um dia haveremos de nos reaproximar. O mundo é muito pequeno, dá muitas voltas, e a eternidade é infindável... Muito além desta realidade dimensional, ele sempre foi, é e continuará sendo um irmão da minha alma.

celularfotosSite 010Com o Mestre DeRose, em frente ao Taj Mahal, numas das minhas primeiras viagens à Índia.

 

Durante algumas décadas permaneci como integrante ativo da Uni-Yôga. Foi graças a esse apoio que pude desbravar minhas fronteiras regionais, fazer amigos, contar com o apoio e a convivência de muitos colegas espalhados pelo mundo e tornar-me um profissional bem sucedido. Convivi com a cúpula dessa instituição, sei que contribuí para o seu crescimento, liderando e auxiliando o aprimoramento de centenas de praticantes e instrutores. Acho que fui um exemplo para muita gente. Sempre fui participativo e alinhado com as alterações e ajustes na política da casa, mas fui me afastando aos poucos por me sentir de uma certa forma extenuado com o trabalho corporativo. Terminei efetivando meu desligamento devido a um grande stress emocional gerado por um acúmulo de problemas pessoais e familiares. Em suma, cada um tem o seu tempo e vive a sua própria realidade. E o meu prazo de validade venceu... Por assim dizer, saí do jogo e me aposentei por tempo de serviço.

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Com alguns dos Presidentes e ex-Presidentes de Federações Estaduais.

 

Especializei-me nessa linhagem antiga sistematizada pelo Mestre DeRose, o Swásthya Yôga, mantendo-me até hoje fiel às suas propostas originais. Enxergo este trabalho como uma magnífica obra de arte e como um patrimônio imaterial da humanidade. Por conta da sua profusão de recursos técnicos, conceituais e flexibilidade didática, em si, é uma excelente ferramenta para o aprimoramento das potencialidades humanas que aplico a mim mesmo e aos demais praticantes. Portanto, mudar de linha seria um desperdíco, um capricho do ego e um exagero da vaidade. O Swásthya me basta como Yôga.

Celular São Bernardo 004 FotoFestivalArgentina2011c CelularFotosSiteAutobiografia 019Muitos Cursos e gente bonita, muitas histórias e saudades...

Meu trabalho atual

Entre 1983 e 2011 minha vida profissional se resumiu em dar muitas aulas, viajar bastante, fazer e ministrar cursos, monitorar instrutores, escrever e publicar livros, dirigir e presidir escolas. Por fazer tudo isso com muito prazer, nunca tirei nem precisei de férias, e trabalhei inclusive durante os feriados e finais de semana.

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Ministrando vivência num dos Festivais Internacionais, em Buenos Aires - Foto de 2009.

 

Por outro lado, com o passar do tempo, foram surgindo outros interesses, gostos e novas necessidades pessoais, pois nada é estático, tudo é movimento e transformação. De 2011 a 2015 deixei de lado a maioria das funções anteriores, afastei-me dos holofotes, e me concentrei apenas na administração da minha escola no bairro da Savassi, em Belo Horizonte.

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Dando aula em minha ex-escola da Savassi, em Belo Horizonte - Foto de 2007

 

Em princípios de 2016, deixei a direção da escola e a problemática da cidade grande e fui morar no campo. Apesar de conviver diariamente entre cachoeiras, matas, pássaros e animais silvestres, não vivo em contemplação e muito menos distante de gente. Tenho muitos outros compromissos e afazeres. Mudou apenas meu estilo de trabalhar, pois continuo utilizando o Yôga com motivação e entusiasmo. A sua prática e o seu magistério me proporcionam disposição, bem-estar, satisfação pessoal e me trazem a oportunidade de auxiliar outras pessoas para uma existência mais saudável e feliz.

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 Praticando Yôga com alguns alunos na sala de prática em minha residência - Foto de Junho/2016.

 

Estou dando aulas e cursos em horários restritos, para turmas de iniciantes e avançados, e como personal. Leciono exclusivamente em minha residência e à distância, pela internetTrabalho sem sair de casa, no condomínio Retiro do Chalé, nas cercanias de Belo Horizonte. Aos pés da Serra da Moeda, com as suas matas, nascentes e cachoeiras - point do voo livre mais próximo da cidade, vou levando a vida com simplicidade, tranquilidade e paz no coração.

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Cachoeira do Condomínio Retiro do Chalé - Foto de Junho/2016.

Junho, 2016.