Mestre Sergio Santos 3

 

Uma breve autobiografia

 

Como cheguei ao Yôga

 

Sempre gostei de atividades físicas, desde a adolescência jogava futebol, fazia corrida, natação, ciclismo, skate, tênis, mergulho, escalada e até Yôga. Praticava também voo livre, com asa delta, especialmente dedicando-me entre 1979 e 1986. Fui piloto de competição, queria até me profissionalizar para viver a vida planando pelo mundo, sonhos...  e acabei parando de voar, dentre outras razões, porque precisei e optei concentrar mais tempo à minha profissão como instrutor de Yôga. Desde então nunca mais voei, mas continuo praticando alguns dos esportes citados.

 

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Década de 80, nos ares das Minas Gerais (Serra da Moeda, 40 km de Belo Horizonte).

Iniciei-me no Yôga aos 15 anos de idade. Meu primeiro professor foi o Padre Haroldo Rahn. Ele ensinava um tipo de Yôga adaptado aos cristãos, e num encontro de jovens da paróquia do meu bairro durante uma imersão de final de semana, aprendi então alguns ásanas, as técnicas corporais do Yôga, bem como alguns exercícios respiratórios e de meditação. Depois continuei estudando e praticando esporadicamente por meio do que encontrava nos livros de autores hindus, e até mesmo ensinando informalmente aos amigos. 

 

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Padre Haroldo, com quase 100 anos de idade, ainda praticando e lecionando Yôga.

Além dos esportes e dos ásanas do Yôga que praticava, buscava o autoconhecimento e o conhecimento através das ciências, religiões e filosofias. As matérias escolares que mais gostava eram as ciências naturais, como biologia, física e química e, por fora da área acadêmica, estudava astronomia. Em relação às religiões, nasci em um lar católico, entretanto eu era questionador, curioso e pesquisador de outras fontes teístas e ateístas, ocidentais e orientais. Fora do âmbito científico, religioso e teórico-especulativo, sempre me senti atraído pela filosofia prática do Yôga. Eu havia me iniciado com alguns dos seus exercícios aos 15 anos de idade, lia os livros das mais diferentes linhas e interpretações dessa tradição na Índia. E um dia conheci o livro Prontuário de Yôga Antigo, do Mestre DeRose, que preconizava uma forma de Yôga com a qual muito me identifiquei.

 

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Capa da segunda edição do livro Prontuário de Yôga Antigo, do Mestre DeRose.

 

Por meio dessa obra, em 1983 matriculei-me numa escola em que se lecionava tal linhagem, de raíz, populamente conhecida como Swásthya Yôga. Logo nos primeiros meses de prática pude então vivenciar várias técnicas que ampliaram o autoconhecimento e minha visão de mundo. Além das sessões com um professor especializado, durante alguns anos pratiquei sozinho cerca de 8 horas por dia. Minha energia, concentração, consciência corporal, flexibilidade, sentidos, percepções e reflexos se aguçaram bastante, o que me ajudou muito nos esportes que fazia na época. A partir daí fui mudando hábitos, refazendo conceitos e trilhando um velho caminho de saúde, qualidade de vida e evolução interior.

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Praticando ásanas...

 

 

Desde os 16 anos de idade fui empregado de uma grande empresa. Tinha uma boa situação financeira, teria uma carreira sólida, talvez, mas era um trabalho que não me satisfazia. Terminei o segundo grau e fiz vestibular para medicina. Não passei e fui cursar matemática. Na verdade, como a maioria dos jovens, não sabia bem que rumo tomar... até eu me encontrar no Yôga como filosofia e também como profissão. Logo que iniciei as práticas me ingressei no Curso de Formação de Instrutores, até concluí-lo com o mestrado.

 

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Em minha primeira viagem internacional - Rio Ganges, Himalayas, Índia, 1987.

 

Hoje já são mais de 40 anos praticando e fazendo do magistério do Yôga meu único ofício. Investi muito tempo e recursos financeiros - como um médico também o faz em sua carreira profissional. Fiz centenas de cursos de aprimoramento por todo o Brasil, Índia e diversos outros países das Américas e da Europa. Especializei-me em diversas áreas dentro dessa filosofia, tais como, respiração, meditação, técnicas corporais, e outras. Fui palestrante em diversos congressos e festivais. Monitorei e supervisionei novos instrutores que, por sua vez, abriram suas escolas e fizeram carreira. Escrevi alguns livros que estão hoje espalhados pelo mundo.

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 Noite de autógrafos do livro Yôga, Sámkhya e Tantra - Foto de 2006.

 

O Mestre DeRose, a Uni-Yôga e o Swásthya.

 

Fui supervisionado pelo Mestre DeRose durante quase 30 anos. Foi ele quem sustentou meus primeiros passos e em quem me inspirei para moldar o caráter e construir a minha personalidade no Yôga. Desde o princípio identifiquei-me com os seus pontos de vista e a sua didática clara e categórica. Da minha parte, encerrei a relação Mestre-discípulo como um estudande que termina a faculdade para prosseguir refinando e ampliando o conhecimento adquirido, e desta forma tomando o seu próprio rumo na vida de acordo com a sua respectiva natureza, liberdade e individualidade. Levo na bagagem muito aprendizado, ótimas recordações e bastante gratidão. Tenho por ele um carinho especial e sei que o nosso distanciamento é relativo, pois o mundo é pequeno, dá muitas voltas, e infindável e eterna é a nossa existência. Muito além desta realidade dimensional, ele sempre foi, é e continuará sendo um irmão da minha alma.

 

celularfotosSite 010Com o Mestre DeRose, em frente ao Taj Mahal, numas das minhas primeiras viagens à Índia.

 

Durante algumas décadas permaneci como integrante ativo da União Internacional de Yôga. Foi graças a essa empresa que pude desbravar fronteiras regionais, fazer amigos, contar com o apoio e a convivência de muitos colegas espalhados pelo mundo e tornar-me um profissional bem sucedido. Convivi com a cúpula dessa instituição, sei que contribuí para o seu crescimento, liderando e auxiliando o aprimoramento de centenas de praticantes e instrutores. Acho que fui um exemplo para muita gente. Sempre fui participativo e alinhado com as alterações e ajustes na política da casa, mas fui me afastando aos poucos por me sentir de uma certa forma extenuado com o trabalho corporativo, e desligando-me definitivamente devido a um grande stress emocional gerado por um acúmulo de problemas pessoais e familiares. Em suma, cada um tem o seu tempo e vive a sua própria realidade. E o meu prazo de validade venceu... Por assim dizer, saí do jogo e me aposentei por tempo de serviço.

 

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Com alguns dos Presidentes e ex-Presidentes de Federações Estaduais.

 

Especializando-me nessa linhagem antiga sistematizada pelo Mestre DeRose, o Swásthya Yôga, mantenho-me fiel às suas propostas originais. Enxergo este trabalho como uma magnífica obra de arte e como um patrimônio imaterial da humanidade. Por conta da sua profusão de recursos técnicos, conceituais e flexibilidade didática, em si, é uma excelente ferramenta para a qualidade de vida que aplico a mim mesmo e aos demais praticantes. Portanto, mudar de linha seria um desperdíco, um capricho do ego e um exagero da vaidade. O Swásthya me basta como Yôga.

 

Celular São Bernardo 004 FotoFestivalArgentina2011c CelularFotosSiteAutobiografia 019Muitos Cursos e gente bonita, muitas histórias e saudades...

 

 

Quem sou eu

Em minha área profissional sou conhecido como Mestre Sérgio Santos. Conquistei esse título através de várias Universidades, sendo chamado informalmente de mestre por alguns praticantes que, com carinho, assim me tratam. E me considero como tal, tanto quanto são designados um mestre de capoeira, um mestre de obras, um mestre de jangada, etc. Dentro da função que exerço, sei o suficiente para ensinar e orientar aqueles que se afinizam com as propostas deste trabalho. Utilizo a metodologia do Yôga como ferramenta consciencial para que cada um possa romper seus paradígmas convencionais e voar em liberdade com as suas próprias asas.

Leciono um estilo de Yôga utilizando uma linguagem universal que não interefere nas convicções individuais, sejam estas de ordem filosófica, política, religiosa, etc. Respeito e sou aberto às diferentes opiniões e outros pontos de vista, procurando conviver e aprender com as diferenças. Penso que cada um têm o direito de ser, fazer e estar no mundo assim como preferir. Tenho as minhas próprias maneiras de pensar, sentir e viver de acordo com a bagagem que trago de uma vida que ainda não se findou, existência dinâmica, flexível e mutável à medida que os anos passam durante o meu amadurecimento e evolução terrena.

Quero o poder e o sucesso. O poder de descobrir e lutar contra as minhas próprias imperfeições e o sucesso de superá-las gradativamente, lapidando-me para melhorar um pouco mais a cada dia. Dedico-me ao autoestudo e à observação das leis da Natureza, como por exemplo, a lei universal de causa e efeito e a multidimensionalidade da Existência. Onde na "natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma", a reencarnação da individualidade se torna uma lógica na qual a morte torna-se simplesmente a dissolução das máscaras da personalidade, uma realidade apenas para os habitantes desta esfera tridimensal. A vida pulsa e está repleta em casa astro, planeta, sóis e galáxia do nos Universo. Vida que segue os mais diferentes padrões, além daqueles detectados pelos nossos mais modernos instrumentos óticos e percebidos pelos nossos acanhados sentidos humanos. 

Na essência de cada crença ou especulação filosófica, busco a simplificação do conhecimento aplicado no cotidiano das relações com os meus semelhantes, buscando "fazer ao outro aquilo gostaría que se fizesse a mim mesmo ". Procuro utilizar um dos preceitos éticos do Yôga, o ahimsá, a não-violência, em relação aos seres minerais, vegetais, animais e, da maneira como me é possível, intentando fazer o bem aos hominais, incluíndo a mim mesmo, quer seja em pensamentos, palavras ou atos. 

Sou Mestre em Yôga. Ensino praticantes iniciantes e também preparo instrutores para o magistério. Sendo instrutor, orientador e mestre, todavia, não formo discípulos. Na concepção oriental e antiga que se dá ao termo, um discípulo somente pode ter um mestre, assim como por exemplo, na Idade Média, para se aprender um determinado ofício era preciso que se seguisse os passos e até vivesse na mesma casa do seu mentor durante anos ou enquanto este estivesse vivo. Isto provêm de milênios e perpassa os séculos, contudo o mundo atual vive numa realidade sem precedentes na qual qualquer pessoa pode ter acesso às informações e aos conhecimentos sem a necessidade de duas pessoas exclusivas dentro do processo da aprendizagem.

A antiga tradição mestre-discípulo pode ser comparada com a de um pai que educa o filho da infância à maturidade. O genitor servirá de modelo para o filho, este poderá possuir as características daquele, porém, gradativamente, irá adquirindo autosuficiência. Isto é o mais saudável. A eterna dependência nunca é boa nem útil para ambas as partes. E ninguém deve copiar o outro. Um filho não tem que ser a cópia do seu pai. Cada ser humano é único, e cada qual tem a liberdade para fazer as suas escolhas de acordo com a sua respectiva natureza ao trilhar o caminho que lhe é próprio. Por outro lado, todo filho que se torna adulto poderá continuar respeitando e amando ao seu pai. E a recíproca é verdadeira. 

Sou um educador que tem o Yôga como um dos seus principais pilares. Além de dar aulas para iniciantes, também procuro orientar aos instrutores estimulando-os a pensar, agir e ser com liberdade e independência. Não formo discípulos e nem quero seguidores. Utilizo o título de mestre apenas para me situar neste nosso mundo transitório. Títulos, diplomas, hierarquias e posições sócio-econômicas nada mais são que apenas vernizes de uma vida da qual nada se leva. Sendo assim, não me sinto superior a nada ou a ninguém por deter certas especialidades. Cada qual pode ser ao mesmo tempo professor e aluno. E do mais simples e analfabeto ao erudito e catedrático, cada um de nós traz em si algo muito importante e de valor: o seu coração, a sua alma. 

Reconheço minhas habilidades que podem servir de exemplos para alguns, mas também sou cheio de limitações como qualquer ser em evolução. Como estudante, tento apreender a natureza das coisas, com cada ser vivo, com cada pessoa e com as situações da vida. Gostaria de errar menos para não precisar repetir tanto as lições... Em meus estudos e observações, o que ontem para mim foi correto, hoje pode não mais sê-lo. Verdades não são estáticas, são transitórias, mudam em todos os aspectos e períodos na humanidade, na ciência, nas leis, nas filosofias, etc.Tudo está certo. E tudo pode ser verdadeiro e ao mesmo tempo ilusório, dentro do nosso universo de nomes e formas

O importante é invisível aos olhos, tanto quanto invisíveis são aos nossos outros limitados sentidos e percepções. O principal encontra-se na essência imortal que pulsa no coração de cada individualidade, além das aparências, das personalidades, rótulos, julgamentos ou de belas palavras que se perdem nas brumas do esquecimento. Sou um viajante enfrentando as suas respectivas provas, experiências e processos num mesmo contexto histórico neste nosso primitivo planeta...

Quando meus olhos à noite contemplam as estrelas na vastidão infinita do espaço, sinto-me infimamente pequeno rastejando neste pálido ponto azul na periferia de uma dentre outras zilhões de galáxias! Apesar desta sensação de insignificância, tenho a percepção de outras realidades e a convivência com seres de planos extrafísicos. Portanto, trago na consciência as razões que sustentam a fé sobre a minha imortalidade como espírito simples forjado por Deus, Fonte Inesgotável, Princípio Criador, e Causa Primária de todas as coisas, habitando em cada partícula atômica e subatômica que integra o tudo e a todos. 

 

Meu trabalho atual

 

Entre 1983 e 2011 minha vida profissional se resumiu em dar muitas aulas, viajar bastante, fazer e ministrar cursos, monitorar instrutores, escrever e publicar livros, dirigir e presidir escolas. Por fazer tudo isso com muito prazer, nunca tirei nem precisei de férias, e trabalhei durante quase todos os feriados e finais de semana.

 

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Ministrando vivência num dos Festivais Internacionais, em Buenos Aires - Foto de 2009.

 

De 2011 a 2015 deixei de lado a maioria das funções anteriores, afastei-me dos holofotes, e me concentrei apenas na administração da minha escola no bairro da Savassi, em Belo Horizonte, cujo funcionamento perdurara por quase três décadas.

 

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Dando aula em minha ex-escola da Savassi, em Belo Horizonte - Foto de 2007

 

Com a idade,  foram surgindo outros interesses e novas necessidades pessoais, e em princípios de 2016, deixei a direção da escola e a problemática da cidade grande indo morar no campo. Apesar de conviver diariamente entre cachoeiras, matas, pássaros e animais silvestres, não vivo em contemplação e muito menos distante de gente. Tenho meus afazeres. Mudou apenas meu estilo de trabalhar, pois continuo utilizando o Yôga com motivação e entusiasmo. A sua prática e o seu magistério me proporcionam satisfação pessoal e me trazem a oportunidade de auxiliar outras pessoas para uma existência mais saudável e feliz.

 

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Praticando Yôga com alguns alunos na sala de prática em minha residência,

aos pés da Serra da Moeda, com as suas matas, nascentes e cachoeiras

point do voo livre mais próximo da cidade.

Foto de Junho/2016.

 

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Curso de Meditação - Foto: Março de 2019

A partir deste período, anos de 2020 e 2021, não tenho ministrado práticas em minha residência. Estou em viagem, dando aulas e cursos noutras localidades e cidades. As aulas e cursos têm sido realizados principalmente à distância, ao vivo, pela internet; mas também presenciais, individualmente ou para pequenos gruposAtualmente, dou aulas na própria casa do aluno e também em academias, clubes, condomínios, empresas, etc.